Agora os ativistas que lutam em prol das prostitutas e dos motoboys têm mais uma classe para apoiar: a dos webdesigners. Certo, eu sei que não é para tanto, haja visto que a profissão de webdesigner se encontra num patamar acima das duas supracitadas. Mas se a legalidade já existe, o mesmo não pode ser dito quanto a legitimidade. Trocando em miúdos, a sociedade é muito descrente com os profissionais da web. Seja por ignorância ou preconceito, sempre dão aquela esfarrapada desculpa de que “meu sobrinho faz melhor”. Agora não me vem à mente nenhuma profissão admirada pela coletividade, cuja qual eu possa fazer uma analogia com o webdesign. Seria bom pra mostrar o quão árduo é este ofício. Talvez um misto de artista plástico com engenheiro, ou ainda decorador com arquiteto… É difícil elaborar uma definição embasada em outras profissões. Sendo mais específico, o que um webdesigner faz é criar e implementar layouts, a parte visual dos websites. Parece fácil? Sim, é fácil. Fazer um site é extremamente fácil atualmente. As ferramentas WYSIWYG (editores visuais) permitem que qualquer “sobrinho” faça um site em poucos minutos. Mas aí entra uma questão primordial neste tipo de mídia: a qualidade. Ou você vai querer que sua empresa seja apresentada ao mundo pelas vias virtuais através de uma página tosca, com fundo vermelho e letras amarelas garrafais em Times New Roman? Fazer bons sites é complicado. Requer estudo, dedicação, horas a fio debruçado na frente do teclado. O desenvolvimento web é evolutivo, e isso exige que o profissional se atualize constantemente. Caso contrário, ficará defasado, e em pouco tempo perderá a clientela. Vê como é um negócio sério esse de webdesign? Eu não ligo para os “sobrinhos”. Que continuem fazendo suas pichações virtuais, sem problema algum. O que não admito é que profissionais sejam equiparados a estes vermes. Pior que isso só quando os sobrinhos ultrapassam o limite da empresa do tio e começam a oferecer seus serviços a terceiros. o preço no chão. Quando o profissional vai conversar com um potencial cliente, este argumenta em face do preço digno daquele: “ah, mas o fulano faz por bem menos que isso…”. O preço é relacionado à qualidade do trabalho. Sempre, em todo lugar, quem é mão de vaca acaba se dando mal. É o tal do barato que sai caro. Infelizmente são poucas as pessoas que pensam assim. Agora, o mais irritante disso tudo é a cara que as pessoas fazem quando você diz que trabalha com Internet. Incrédulas, antes mesmo de perguntar como é o serviço, já se referem à vida boa, de quem trabalha em casa e faz seu próprio horário. De fato estas são grandes vantagens, mas que não vêm de graça; são frutos de muita dedicação. Quer também? Vai estudar. Por que ninguém fala para o advogado, quando este se apresenta como tal: “ah, que folga, hein? Uma audiência aqui, outra ali, trabalha pouco e arranca até as cuecas dos pobres diabos que vão ao seu escritório”? Tem muitos webdesigners que estudam mais que muitos advogados picaretas. E ganham muito menos, com certeza. Qual a diferença? Não quero entrar no mérito, mas Direito é uma coisa um tanto ordenada, assim como o webdesign. Tem seus entraves, as tais discussões doutrinárias, onde alguns escritores já em estado de putrefação, de tão velhos que estão, discutem a correta interpretação de um artigo ambíguo, fruto da incompetência do legislador que o criou. Ora, isto também existe no mundo dos artistas da web. Não de forma tão hipócrita e mesquinha; existe em fóruns, com discussões mais abertas e democráticas. Há a objetividade (programação, do lado do webdesign, legislação, do lado advocatício), e a subjetividade (a vontade dos clientes, em ambos os casos). Estes são apenas dois exemplos de como há várias semelhanças entre o webdesign e demais profissões tradicionais. Já passou da hora de acabar com este estigma de que webdesigner é profissão de vagabundo que não quer arranjar um “trabalho e verdade”. Ora, quem disse que isso é uma brincadeira? Eu nunca me peguei com carrinhos ou bonecos articulados enquanto me dedicava à produção de um layout… Sociedade retrógrada, isso sim é o que temos. Mas tudo bem, que continuem compactuando com seus malditos “sobrinhos”. Às vezes, o trabalho de reformulação de um site sai mais caro que a produção de um novo. Aí já viu, né?





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